terça-feira, 24 de Novembro de 2009





Esfriam-se nas mãos as texturas. São farrapos acrescentados. Cadências que a cor multiplica e o olho desconstrói. Cimento que a vida agarra em cada pele como marca indelével de um sentir.

Encosto o olhar à textura. Com um dedo acaricio-a. Depois, levemente, sorrio. Em breve outra textura se sobreporá. Palimpsesto dos dias que assentam o enredado da vida. A voz que nenhum silêncio apaga.

HFM - Lisboa, 23 de Novembro de 2009

domingo, 22 de Novembro de 2009

Sem título

não sei da vida mais do que o nada
o anverso
e a incógnita do haver.


HFM - Lisboa, 19 de Novembro de 2009

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009



Na correria soltam-se as velas do tempo sem amarras. Nem rio, nem ribeiro - mar. Mar e tempo ao despique numa trovoada de referências - as memórias que o tempo solta em nós e que o mar salga de espuma - e, no profundo fundo onde se acoitam os medos apercebemo-nos, então, que nada é mais importante do que o tempo.


HFM

terça-feira, 17 de Novembro de 2009




Na manhã de chuva selam-se as entradas e lá dentro é mais sonora a cadência da vida e dos medos. Uma sonoridade onde se armazenam as águas e os pensamentos. Segue a linha da vida como um pequeno arroio aumentando o Tejo.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Lisboa - claustros da Sé





Continuando a palmilhar a insondável beleza que Lisboa, apesar de tudo, ainda guarda. Esta é, realmente, a Lisboa que eu amo.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Refúgio na cidade - Quinta das Conchas











HFM - fotos tiradas com telemóvel



Um oásis na cidade, um local priveligiado onde me distendo e pacifico e onde o outono se dignifica.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Sem título




assim os conseguisse enxotar
e seria infinito

começava assim a minha sms
e assim ficou
enxuta aberta
numa depuração de palavras
rente à imaginação
solitária
abrindo caminhos

terás percebido?
mastigo a inquietação e a
melancolia

e, contudo,
sei
que houve um momento
breve
em que fui infinito.

HFM

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009



no desvão da escada destaca-se a luz avermelhada do sol - um tom na cidade outonal que nada pressagiaria. o tom desfocado do calor adormecido quando a hora se modifica. sobre a cor falaríamos se ela não fosse decomposta em tantas outras quanto a imaginação do artista. deixo a mão poisar no vermelho que quero vermelho. vemelho rubro. vermelho sangue. vermelho
com que se cobriam as janelas quando alguém tinha sarampo.

depois, deixo os dedos tocar no imaginário e com ele percorro o caminho para lá da luz, para lá do sol, para bem longe daqui, numa outra galáxia de infinitos.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Aguarelando


o verde da mancha tapando insónias
e a sua transparência liquefazendo
a ternura acumulada
revoltada

expressionismo de sentimentos.

HFM - 5 de Novº de 2009


quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Sem título


encerradas nos poemas - as palavras
cellos e violinos abrindo cantatas.


HFM - 27 de Outº de 2009